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Fé e Religião
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Estamos entre os que entendem que o ser humano é um ser social, que não sobrevive se ficar totalmente isolado. Acreditamos também que tudo que o ser humano é e pensa sobre si mesmo e sobre o mundo foi e é construído coletivamente, social e culturalmente.
Todos nascemos dentro de uma cultura que teve seus valores estabelecidos socialmente em épocas remotas e que com o decorrer do tempo se modificam continuamente.
A FÉ
Entende-se que a fé é uma das potencialidades que todo ser humano possui, sendo que algumas pessoas desenvolvem mais que as outras essa fé que existe em si.
O desenvolvimento dessa potencialidade se dá, sobretudo, a partir do momento em que uma pessoa faz ativar seu "instinto de sobrevivência" ao se sentir ameaçada pela morte física, psíquica e/ou social.
Embora essa seja uma das muitas explicações, e toda explicação, por si só, já passa necessariamente pelo crivo da razão, é de se ressaltar que a fé não precisa da razão. A fé é certeza.
A fé realiza o improvável racional. A fé é absoluta ou não é fé. A fé constrói o sagrado. O sagrado é sagrado. É algo que tem poder transcendente; poder acima e diferente de todo o poder que um ser humano pode ter.
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A religião normatiza a fé coletiva. Institui um conjunto de preceitos, do mas, rituais, voltados a potencializar a fé e assim atingir o sagrado.
Cada religião tem os seus valores, espaços, objetos sagrados. Existem religiões onde os princípios estão registrados em linguagem escrita e outras que estão na memória pessoal dos sacerdotes e são transmitidos de forma oral.
As religiões de raízes africanas e indígenas não têm seus princípios registrados em um livro. São religiões onde os ensinamentos são transmitidos oralmente, o que não significa não terem eficácia.
Apesar da palavra RELIGIOSIDADE, advir da palavra e do conceito de RELIGIÃO, tem, ao longo dos tempos, encerrado um sentimento religioso mais complexo, que transcende o cumprimento de normas regulativas da religião.
A religiosidade pode ser vivenciada de forma mais livre que a religião. Religiosidade é, pois, mais que religião: é experiência de um sentido religioso- transcendente.
IMPORTÂNCIA DE VALORIZAR AS RELIGIÕES DE RAÍZES AFRICANAS
Uma das mais danosas conseqüências do racismo foi e é o fato de ter feito a maioria dos seres sentir inferior às pessoas de outras raças. Acredita-se que para que esse sentimento de inferioridade coletiva seja neutralizado tornar-se necessário que a cultura "afro" seja valorizada, ou seja, acredita-se que: "cultura valorizada, povo valorizado"; "povo valorizado, cultura valorizada".
Assim, além da riqueza, diversidade, beleza, resistência das religiões afro-brasileira, elas podem, se devidamente valorizadas, vir a desempenhar valioso papel na construção de uma identidade valorizada dos negros brasileiros como um todo, levando em conta que a população afro-brasileira corresponde a praticamente metade da população do Brasil. |
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--------AS RELIGIÕES DE RAÍZES AFRICANAS ------- -----TÊM UM CARATER TOTALIZADOR.
Na maioria das religiões de raízes africanas tudo se liga a tudo.
O ser humano é apenas um desses elementos interligados.
O universo é visto como um complexo de forças que se defrontam ou se neutralizam.
Há um equilíbrio instável- o universo é sistêmico, no mesmo momento que se desarruma, tende a se rearrumar imediatamente. Mas só há mudança quando há desequilíbrio.
Plantas, ventos, bichos, rios, trovões, ser humano, chuva, raios, mar, tempo, pedras, ar, terra, estrelas, tudo tem vida e querer. Então, em toda religião "afro" tem um pouco de:
- a) ANIMISMO - toda a natureza tem vida, pensa e tem querer;
- b) TOTEMISMO - comunicação ser humano-animal e culto da fecundidade;
- c) CULTO A ANCESTRALIDADE - divinização de ancestrais
- d) NATURISMO - mundo entendido como um conjunto de significados;
- e) FETICHISMO - possibilidade de manipulação de forças sagradas;
- f) PAGANISMO - culto da terra, pelos agricultores, do mar pelos pescadores e assim por diante.
É possível então conversar, elacionarse com todos esses elementos.

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