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Voduns / Keviosso
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Filho de Oranyan, foi o quarto rei de Oyó. Após a morte de seu pai, compeliu seu pacifico irmão Ajaká a pagar-lhe tributos, tendo sido esta a provável causa pela qual Ajaká foi deposto. Keviosso era ainda muito jovem ao ser coroado Rei e Olowú quis tirar partido disto. Exigiu o pagamento de tributos, mas Keviosso recusou-se a reconhecer a primazia de Olowú e passou a atormenta-lo com ameaças de retirar de seu convívio esposas e filhos.
Em conseqüência disto sua capital foi sitiada e iniciou-se uma luta.-Ali Keviosso demonstrou sua bravura bem como seu domínio de magia, rolos de fumaça saíram de sua boca e narinas aterrorizando Olowú e seu exército que entre tanto em pânico, bateu em retirada.-A esta vitória seguiram-se outras e a cada novo triunfo mais se afirmava ele no trono cada vez mais respeitado. Porém, tornou-se tirano quis então remover o trono de Okó para Oyó, então conhecia Oyó-Koro.Sabia de antemão que o principal dessa cidade iria opor-se e planejou meios para atingir seus objetivos com o mínimo de luta possível.
Estava possuído pelo desejo de realizar um ato de piedade filial: prestar culto a mãe morta, junto a seu tumulo. Não lembrava seu nome por ainda era um bebê quando ficou órfão. Sua mãe era filha de Elempe,um rei Nupe que fizeram aliança com Oranian ao entregar-lhe a filha por esposa.
Keviosso era pois, fruto dessa aliança.designou um escravo Tapa e outro Hausa par que fosse à terra dos Nupe ao encontro de Elempe, como o propósito de oferecerem uma vaca e um cavalo em sacrifício, a mãe de Keviosso queria que seus mensageiros prestasse atenção ao primeiro nome citado na evocação do ato sacrificial pois esse seria o nome de sua mãe.
Os mensageiros foram recebidos com alegria e entretidos por Elempe, o avô do rei de modo que o Hausa esqueceu sua tarefa. No momento do sacrifício, diante do tumulo da mãe de Keviosso, o praticante disse:´-“ Torossi Iyá gbó dó”.ouça-vos! Vosso filho Keviosso e chegado para prestar-vos culto!. Otápà observou o nome Torossi, mas Hausa diante e em postura solene não deu atenção ao que foi dito conseqüentemente, ao retornarem, o escravo Tapa, que seguindo fielmente as ordens, foi grandemente recompensado; enquanto o escravo Hausa foi punido com cento e vinte cortes de navalha espalhados por todo corpo, como aviso para sempre.
As cicatrizes agradaram as esposas de keviosso, que o acharam as esposas de Keviosso, que o acharam, mas, belo , com melhor aparência e consideram que tais marcas não deveriam ser feitas em escravos e sim em membros da família real como sinais de nobreza.-Keviosso deu ouvidos ao conselho e colocou nas mãos dos Olowala Babajegbe Osan e Babajegbe Oru a responsabilidade de fazerem as incisões em seu corpo real. Entretanto, não pôde suportar mais que dois cortes longitudinais em cada braço e logo os da família real passaram a chamar-se Akeyo por terem duas longas marcas nos braços, desde os ombros até os punhos.
Quando o rei decidiu tomar Oyo-Koro a fim de que o mostrasse quão belo se tornara com as marcas, que foram apresentadas como sinal de realeza. Assim, Hausa aconselhou ao Oloyo-koro e seus ministros que se deixassem marcas e eles concordaram.
Babajegbe Oru e Babajegbe Osan foram enviados para lá e cumprirem sua incumbência de modo admirável, três dias depois, quando Oloyo - koro e seus ministros estavam extremamente doloridos, Keviosso chegou com suas forças, investiu contra eles e, sem resistência possível, a cidade caiu em sua mãos. O príncipe e seus ministros foram vergonhosa e brutalmente conduzidos à morte. Assim, o trono foi definitivamente transferido de Oko (Ile-Ife) para Oyo, antiga Eyeo ou katunga. |
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-Alujá
Toque rápido com características guerreiras, dedicado a Keviosso. Significa, em língua Fon, alujá, ( perfuração, orifício). “É o orificio ou buraco que Keviosso abriu na terra, por ele entrando, deixando de ser rei e se transformando em vodun.
Pode ser somente instrumental, nesse caso, o vodun, acompanhando o som produzido pelo Run(atabaque maior), conta gestualmente a sua saga de guerreiro, e seus atributos de dono dos trovões, capaz de lançar sobre a terra pedras de raio (Edun-Ara).
Os gestos do vodun acompanham a execução do alabê, e a cada batida mais forte corresponde a um gesto largo e um passo firme do “senhor dos raios”.
------Tonibobé
Etimologicamente é um termo fon que significa To (justas), Ni(reforço gramatical),Bo( adorar), Be(suplicar, pedir e adorar com justiça).
A dança executada por Keviosso, neste ritmo, apresenta algumas singularidades. Os pés avançam devagar e os calcanhares marcam, com uma batida mais forte, os gestos que as mãos executam, à altura do rosto. Os punhos fechados, com execução dos indicadores, giram em torno de si mesmos, e repetidamente,lançam-se ora à direita ,ora à esquerda, e para cima como quem lança algo. A cada gesto de mão, ergue-se um dos pés, de maneira cadenciada.
A respeito dessa performance, diz-se: “Keviosso está preparando raios com os dedos e depois atira as pedras de raio para cima, que caem em todos os cantos”.
A Fogueira e a Roda de Keviosso(Sangô)
Durante a primeira fase das celebrações dedicadas a Keviosso, isto é, aquelas realizadas junto à fogueira , são entoadas as rezas do “Vodun do fogo”, um dos títulos atribuídos ao antigo alafin (rei) da cidade de Oyó, capital do reino de mesmo nome, a época. São inúmeras as rezas dedicadas a esse vodun; destacaremos uma no presente trabalho em razão da sua expressividade.
Na reza é saudado Aganjú, o alafin de Oyó, filho de Ajaká e sobrinho de keviosso. Iamassê, considerada sua mãe, é encontrada ao pé da grande árvore. O brilho do raio e o barulho dos trovões lembram que Aganjú vigia do Orum, a terra dos ancestrais, seus súditos e fieis.
Após as rezas, também denominadas adura, geralmente é tocado o alujá, ritmo específico de Keviosso, onde o som do bailado do vodun é marcado pelas batidas de palmas e pelo som dos xeres(espécie de xocalho), daqueles que, seguindo-o, executam esse ritmo vibrante que marca o final desse primeiro momento do ritiual.
A “roda de Keviosso ”, no entanto, ocorre no espaço do barracão.geralmente são executados cerca de vinte cantigas, cuja a ordem pode variar em função das diferentes tradições que originaram as comunidades.
O ritmo forte e cadenciado do bata louva Dadá ou Ajaká. Os dançarinos, voltados para o porte central, coluna que sustenta a cumeeira e, geralmente onde se encontra a coroa de Xangô, executaram um bailado próprio dessa cerimônia, a “roda de Keviosso ”. A dança no entanto, difere das anteriores pelo movimento continuo da cabeça, que se volta repetidamente para os dois lados do ombro num sentido inequívoco de negação, e perdura durante todo o cântico , lembrando o mito em que Dada chora, aguardando riquezas.O canto ressalta a tolerância de Ajaká, o Oba pacífico, o mecenas, que muitas vezes fingia não ver “o ar insolente de seu irmão mais velho Keviosso, dado a dispustas e turbulências.
Afonjá
Foi um general, isto é, Kakanfô do Alafin Aolé. Empreendeu inúmeras batalhas , sendo considerado um grande comandante militar. Foi nomeado, pelos seus feitos, governadorde Ilorin; no entanto, cai em desgraça junto ao rei. Rezava a tradição que os generais derrotados deveriam suicidar-se. Afonjá recusa-se a seguir o costume e investe contra Oba.
“O Alafin envia contra ele um exército que é batido graças ao apoio dos peules de Malam Alimi. Quando quis desmbaraçar-se destes aliados icômodos, foi destroçados por completo... suicida-se então, e Ilorin torna-se um emirado peule”.
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O cântico fala do “ chefe da terra”, comandante que reconhece os seus pelo olhar. Como guerreiro, pune os que fogem da guerra, vendendo-os como escravos. Seus feitos o tornaram vodun, insubmisso à morte e cultuado no Brasil como um Xangô.
Fogueira de Keviosso como recorte para falarmos sobre ritmos e cânticos, pois, julgamos serem eles parte significativa na manutenção da memória africana no Brasil.
Essa cerimônia pode ser dividida em duas partes distintas: uma onde é acesa uma fogueira em homenagem a Keviosso, realizada na parte externa do terreno, enquanto são realizadas as danças e louvações aos voduns, conhecida como “barracão”, que abriga além da assistência , um espaço destinado à orquestra ritual.
Os instrumentos musicais ocupam um lugar especial nesse local, destinado a eles por sua importância.
Encontram-se, geralmente, separados do espaço destinado à assistência, por muretas ou, mais raramente, por cordas. É particularmente, um espaço sagrado.
Cumprimentado pelos visitantes, quando chegam, e por voduns e iniciados, em muitos momentos do xirê(festa).
A orquestra é comandada por um especialista- o Alabê. Trata-se de um titulo honorifico dos mais respeitados nas comunidades religiosas. Cabe a ele, além da função de entoar os cânticos e iniciar no aprendizado litúrgico os que ainda encontram-se em formação, zelar pelos instrumentos musicais, conservar sua afinação, e providenciar as cerimônias de consagração daqueles que, produzindo os sons da musica, estabelecem a relação entre os homens e as divindades.
Nas comunidades, a orquestra ritual é composta por instrumentos de percussão, três tambores denominados atabaques; e também do Agogô e Gã, campânulas de ferro percutidas por baquetas de metal.
Possuem tamanhos diferentes e nomes próprios. O maior deles, de tom grave, chama-se run, o que significa em ioruba, o hun(rugido, granido). Outros atribuem a esse nome outro significado, proveniente da língua fon, e que teria o sentido de sangue ou coração.
Todas as acepções aludem ao caráter especial que o instrumento possui no contexto religioso. É o responsável pelo solo musical e variações melódicas, e também pelas invocações dos deuses. De som grave, geralmente percutido com uma baqueta de madeira e uma das mãos, é considerado como “o que chama os orixás”, o som que chega ao”orum”, terra dos ancestrais.
Cabe ao rumpi, menor que o run e maior que o Lê(Terceiro atabaque). O papel de suporte musical, ou seja, a manutenção constante do ritmo. Os dois, rumpi e lê, possuem a mesma função e são percutidos pelos aquidavís, baquetas de madeira, feitas de galhos de goiabeira.
Sustentam uma linha melódica, composta da repetição permanente de um modelo rítmico, relativamente longa. permitem ao run as variações musicais que o solo impõe,dando suporte e sustentação à peça musical sacra.
O nome rumpi, em ioruba significa hun (grunhido/rugido),Pi(imediatamente). Indica, assim, a posição que ocupa na orquestra e também na execução musical.
O termo “Lê”, que na língua Ewe significa pequeno-“Lee”- alude, portanto ao seu tamanho. O som é considerado mais agudo que o do rumpi, de tom médio, se o relacionarmos aos outros dois.
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